quarta-feira, 11 de setembro de 2013

História da menina - I

Forquilha não é um nome bonito para um pequeno vilarejo, mas este é o nome do lugar onde a menina nasceu Era um lugar muito pobre, com uma pequena venda, onde no final da tarde os homens ficavam sentados em um banco de madeira, enquanto tomavam uma cachacinha de péssima qualidade e davam a tradicional cuspidela para o lado.
A estrada de acesso era péssima, conforme já descrita.
 Na década de 40 tinha algumas fazendas e pequenos sítios. O sítio onde a menina nasceu passou a ser propriedade da DANONE,  faz parte de uma fazenda, na década de noventa, a menina esteve lá.
Ela nasceu numa casinha pequenina, espaço muito  pequeno para uma família de onze pessoas. O curioso é que tinha uma pequena despensa, sempre vazia. A alimentação era arroz, quando tinha, este era socado no pilão, geralmente era vermelho, ou segundo ela, encardido mesmo. Feijão, verduras, legumes cozidos, tudo na banha de porco, nesta época não se conhecia óleo por aquelas bandas. Quando a mãe matava um frango, ou comprava raramente um pedaço de carne de segunda, era um  banquete, as crianças deixavam para comer por último o pequeno pedaço que cada um recebia, saboreando bem devagarinho para não acabar depressa. O normal era feijão com angu( não confundir angu com polenta, o angu é feito apenas de fubá com água), sem molho ou qualquer tempero. Na época o fubá era de moinho de pedra.

O café da manhã era servido em pequenas canecas, feitas de latinha de massa de tomate, que a mãe mandava colocar asa. O café era fraco e nada para comer. Quando o café acabava a mãe da menina torrava inhame, socava no pilão e fazia café com aquele pó.

Mas quando a boa senhora ia para a cidade lavar roupa nas casas, sempre levava pão duro para as crianças e elas pareciam pequenos ratos, sentadas no chão, roendo pão seco.
Mas havia ocasião em que comprava aqueles pirulitos de açúcar queimado, tinha modelo de chupeta, e então era uma verdadeira festa. Quando comprava toucinho também, pois havia torresmos. Não era o torresmo carnudo dos dias atuais, era aquele para extrair gordura, que depois de frio não dá para comer.

O médico das crianças era a benzedeira, remédio de farmácia era somente o lombrigueiro, uma coisa horrível, era um comprimido para cada dois anos de idade, quando as pílulas abriam, tinha gosto de erva de santa Maria, ou mastruço se preferir., outras doenças se resolvia com chás e simpatias. Boa noite, bom sono para todos(as) essa história vai longe.

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